quinta-feira, 17 de julho de 2014

CONVERSAS PRIVADAS EM NEVERLAND COM MICHAEL JACKSON (11)


Danny Bonaduce e Donny Osmond 

''Ao longo dos anos que passamos juntos, conversamos sobre quase toda nossa vida. Muitas das histórias eu me esqueci, mas felizmente muitas outras ainda estão claras em minha memória.

Estávamos falando em uma noite sobre o ensino médio. Eu lhe disse que tinha ido a uma escola para meninos em Los Olivos chamada Dunn School. Ele a conhecia e não ficava longe de sua casa. Eu lhe disse que era parecida com a que há em frente da entrada do seu rancho - chamada Midland School - exceto que ela era mista.

Eu perguntei a Michael sobre qual escola do ensino médio tinha frequentado e ele me disse que era um lugar especial para as crianças filhas de celebridades de Los Angeles e estrelas do cinema.

Aparentemente esta escola, como todas as outras, tinha suas gangues. Uma delas era um grupo de "garotos durões" a qual Michael receava. Sempre teria receio de passar diante deles, quando eles estavam dando voltas por aí.

No entanto, o líder não oficial entre eles era Danny Bonaduce, da famosa Partridge Family. Michael sempre se sentia aliviado quando eles passaram e Danny lhe dizia ''Oi Michael".

Ele disse que estava feliz que Danny estivesse lá porque eu sentia como se "ninguém se atreveria comigo porque teriam que perguntar primeiro a ele. Eu lhe sou grato por ter cuidado de mim, mesmo que ele não soubesse que o estava fazendo."

Em outra ocasião Michael me contou que estavam conversado - ele e Donny Osmond - sobre o fim da carreira deste. Disse que Donny lhe perguntou: "Michael, o que eu deveria fazer? Como posso voltar para onde eu estava?"

Perguntei a Michael: "O que você respondeu?''

Ele disse: "Eu disse: ''Deixe-se prender.''

Quando Donny lhe perguntou o motivo, a resposta de Michael foi: ''Porque você precisa de um empurrão. Você sabe, como adotar a imagem de um ''Bad Boy'' em vez de um bom rapaz. Acredite em mim, isso é o que eu faria, Donny."

Perguntei a Michael: "Ele seguiu o seu conselho?"

Michael disse: ''Não, ele disse que não era uma boa ideia. Mas eu estou certo que o truque teria funcionado.''

A casa das recordações

Michael pediu-me em uma sexta à noite para ir ver um filme com ele às 22 horas. Perguntei à minha esposa se ela não se importava e ela disse... "Vá e divirta-se."

Apesar dos filmes caseiros de Michael serem os mesmos que eles colocam nos cinemas, era muito mais divertido sair e assistir um com ele.

Cheguei à casa de Michael e ele estava na porta da frente. Passamos pela sala de jantar e pela porta dos fundos da cozinha, enquanto estávamos conversando sobre os acontecimentos do dia.

Entramos no Navigator e vi Michael dirigindo pela primeira vez desde que eu o conheci. Seguindo o conselho de seus advogados, Michael não se permitia dirigir fora da propriedade, tenho certeza que por um monte de razões. Certamente o menos importante de todos não seria a de que Michael não era um bom motorista.

Ele colocava as suas mãos na posição 10/10 corretamente ao volante e dirigia muito lentamente. Ele afundou no assento enquanto seu queixo tocava a parte superior do volante enquanto ele olhava sobre o mesmo.

Acelerava e travava constantemente e se mexia e se corrigia, mesmo andando em linha reta. Ele estava mais interessado em conversar do que em dirigir e olhava para mim enquanto falava.

Naquela noite em particular eu lembro que eu vi um dos filmes da saga do Senhor dos Anéis, que tinha acabado de ser lançado.

Lembro-me de ter me servido de sorvete com calda de chocolate e amêndoas picadas. Peguei um pouco de pipoca e coca-cola e fui ao encontro de Michael, que estava à frente.

Michael nunca falava muito durante o filme, exceto para comentar sobre um papel em particular ou para opinar sobre as técnicas utilizadas no filme.

Quando o filme acabou Michael me disse: "Barney, vamos ver a casa das recordações. Eu te disse uma vez que te levaria. Eu não estive lá por mais de um ano e agora é, provavelmente, um bom momento.''

Então nos dirigimos até à casa, travando e acelerando, passamos a estação de trem e subimos uma colina a oeste da propriedade, onde paramos em uma pequena casa cercada por árvores de carvalho.

A sala estava cheia de pilhas de grandes livros encadernados em couro e do tamanho de um jornal. Troféus e cartazes adornavam as paredes. Michael pegou um grande livro e eu peguei outro e começamos a olhá-los.

Eram artigos sobre o Jackson 5, Michael, Janet e sua família. Ocasionalmente Michael encontrava algo que o fazia rir ou dizer, "Barney, olha para isto." E lia um artigo para mim.

De todas as coisas que eu lemos e conversamos naquela noite eu só posso me recordar claramente de uma. Michael estava olhando para uma fotografia do Jackson 5, em uma performance, quando disse:

"Você sabe, no momento em que nos apresentávamos, as pessoas jogavam dinheiro no palco e nosso pai nos deixava pegar tudo o que pudéssemos. Era ótimo porque eu não teria dinheiro, se não fosse dessa maneira. Quando o dinheiro estava no palco dançávamos ao redor, pegávamos e colocávamos em nossos bolsos. Me encantava porque eu olhava para este dinheiro pensando em quantos doces eu poderia comprar.''

Assegurei-lhe que eu fazia exatamente o mesmo com o meu dinheiro quando era criança.

"Algumas noites conseguíamos mais de trinta ou quarenta dólares assim."

Eu disse: "Eu lembro que ganhava 25 cents para cortar a grama e pensava que era rico. Eu não posso imaginar o que seriam trinta ou quarenta dólares. Lembro-me de gastar os 25 cents em 35 unidades de chicletes. Double Bubble ou a mesma quantidade em alcaçuz.

Depois de visitar as outras salas, nos entediamos e percebemos que estávamos com fome. Era três da manhã. Eu olhei para Michael e disse, sorrindo: "Sushi?"

Ele disse: "Vamos.''

Claro que nós dois estávamos pensando na bandeja de alimentos que Michael solicitava que se preparasse para estas ocasiões.''

Fonte e tradução: Rosane - blog Cartas Para Michael

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