segunda-feira, 23 de junho de 2014

CONVERSAS PRIVADAS EM NEVERLAND COM MICHAEL JACKSON (5)




A fama e Deus

''Um dia, Michael me ligou e perguntou se eu queria sair com ele. "Sim", eu disse, como sempre. Quando cheguei ao rancho me levaram para a biblioteca onde Michael me esperava, como de costume. Quando nos sentamos, Michael tinha a sua habitual revista sobre as pernas e enquanto conversávamos, folheava a revista.

Havia um grande álbum de fotografias de couro sobre a mesa de café e eu sorri ao ver as fotos de Michael com o presidente Ronald Reagan, a princesa Diana, Elizabeth Taylor e outras celebridades.Também vi Michael marchando à frente de alguns desfiles militares.

Fiquei chocado que essa era, na realidade, a única coisa na casa a indicar quem ele era ou o nível de sua fama. O mobiliário elegante ou a propriedade tão bem cuidada apontavam para um homem muito rico.

Eu nunca vi recortes de jornais, troféus, discos de ouro e outros prêmios que você espera ver em algum lugar da casa. Eu perguntei sobre isso e ele disse, sorrindo: "Tudo isso eu tenho em uma outra casa, ao lado da propriedade.''

Eu perguntei: "Por que você não coloca algo aqui, onde todos podemos ver?"

"Bem, eu não gosto dos arrogantes e não quero ser um deles. Se eu mantiver todas essas coisas ao meu redor, onde todos possam vê-los, acabará por ser o tema da conversa e há muitas coisas mais interessantes para se falar. Eu não quero que me lembrem quem eu sou e o que eu tenho feito, e acabar pensando mais em mim mesmo do que seria bom'', disse ele.

Eu pensei sobre isso por um minuto e lhe disse:

''Você vê Michael, você tem mais direito de ser presunçoso, egoísta e impossível do qualquer outra pessoa no mundo - embora ninguém realmente tenha o direito de sê-lo - e você não é um desses. Sempre ouço sobre como é impossível de se tratar alguns atores ou pessoas famosas ou trabalhar com eles, exigentes como eles são. Você ouve falar de quão cruéis podem ser, ao lhes pedir ajuda. Minha irmã Jewel, que é comissária de voo em Delta, uma vez me contou sobre uma senhora que voava pela primeira classe e não falava com as funcionárias, quando lhe perguntavam se ela precisava de alguma coisa. Uma delas perguntou ao marido:

"Desculpe-me senhor, a sua esposa é surda?''

"Não, é que ela não fala com as comissárias de bordo", ele respondeu. É a isso que eu me refiro. Você parece ter saído disso completamente ileso. Como você conseguiu isso?"

Michael olhou para mim e disse simplesmente: "Porque não sou eu."

"O que você quer dizer?" eu perguntei.

"Quero dizer que é um dom que eu tenho. É um presente de Deus. Ele me deu tudo isso e não é realmente meu. Eu decidi há muito tempo que seria melhor conceder a Ele o crédito que [supostamente] deveria conceder a mim mesmo. Dessa forma eu não estarei tentado a fazê-lo. quase todas as coisas que eu tenho que me lembram a mim mesmo eu as mantenho longe dos meus olhos nesta casa'', ele respondeu.

Eu me lembro de pensar que era uma resposta perfeita. Sorrindo, eu lhe disse: "Michael, me leva um dia desses para me mostrar esta casa?" Ele olhou para mim sorrindo e disse: "Um dia desses,''


Michael me faz uma visita

Às vezes eu abria a porta da minha casa para ir ao trabalho e Michael estava lá de pé, na frente dela. Ele não tinha ligado, o que era engraçado, mas era típico dele. Ele esperava do lado de fora até que alguém saísse. Dizia: "Oi Barney" com sua voz calma e suave: "Posso entrar?"

"Claro," eu dizia, "mas eu tenho que ir trabalhar. Eu tenho pacientes à espera da consulta. Entre e sinta-se em casa. Vou dizer a Criss que você está aqui."

Eu sempre lhe perguntava por quanto tempo ele estava esperando e ele sempre dizia: ''alguns minutos" ou "acabo de chegar''.

Naquele dia em particular eu me lembro de ao sair, perguntar ao motorista que se chamava Manuel Rivera, por quanto tempo eles estavam esperando. Olhando para o relógio, ele me disse que estavam sentados no carro há cerca de trinta minutos.

Michael entrou, pegou uma revista da mesa e sentou-se no que se tornou o seu canto favorito da sala. Era uma cadeira muito simples, sem braços, de cor creme e estofada em veludo preto. Eu fui para acordar minha esposa e dizer-lhe que Michael estava na sala.

Ela disse: "Diga-lhe que já vou vê-lo'', o que eu fiz e eu me despedi para ir ao trabalho. Criss disse-me mais tarde que ela desceu as escadas, cumprimentou Michael e lhe perguntou: "Você está com fome, Michael? Posso preparar algo para o café da manhã... uma tigela de cereais...?''

"Não, obrigado, Criss", disse Michael. Mas ao deixar a sala pareceu ter mudado de ideia e disse com um sorriso: "O que você tem?'' Ela sorriu de volta e respondeu: ''CornflakesRaisin BranAlpha-Bits…”

"Vou ficar com esse [último]'', disse ele.

Minha esposa me ligou ao meio-dia para me dizer que Michael ainda estava lá. As crianças tinham levantado e o encontraram na sala de estar e ela decidiu deixá-los em casa para brincar com ele e lhe fazer companhia. Ela disse que eles estavam todos assistindo a um filme e comendo pizza. Michael tinha enviado Manuel para buscar o almoço e alguns lanches.

Quando cheguei em casa cerca de seis da tarde, seu carro ainda estava estacionado na frente da cerca. Manuel estava sentado e lendo um livro, esperando pacientemente as instruções de Michael.

No interior, Michael e a minha filha Bianca estavam sentados no chão, jogando Monopólio. Havia almofadas espalhadas pela sala. Caixas de pizza aqui e ali e algumas garrafas vazias de suco de maçã Martinelli sobre a mesa. 

Além deste, havia outros jogos deixados de lado, significando que eles poderiam ter ficado desinteressados em algum outro momento. Colocaram desenhos animados na televisão.

Quando entrei na sala, Michael sorriu para mim e disse: "Oi Barney. Como foi seu dia? "

"Bem, obrigado. Como o seu?", eu disse.

"O melhor de todos!'', respondeu.

Em uma de suas muitas visitas à casa, recordo que ele ne perguntou: "Barney, o que devo fazer para que os meus filhos cresçam igual aos seus?''

Eu lhe disse que ele não tinha que se preocupar, que ele estava fazendo muito bem. Na verdade, eu lhe disse que estava fazendo um trabalho melhor do que o meu, a julgar pelo bom comportamento de Prince e Paris [Blanket ainda não tinha chegado].

Eu disse: "Seus filhos são incrivelmente bem comportados. Sempre dizem ''obrigado'' e ''desculpe'', quando apropriado. Eu acho que eles são um bom exemplo para os meus.''

Se Michael viesse à minha casa, trazia com frequência Prince e Paris e por vezes, Grace [a babá] vinha com eles para ajudar. Ela era como uma mãe para Prince e Paris e estava quase sempre com eles quando eu ia ao rancho. Era muito boa cuidando deles e muito atenta às suas necessidades, como uma mãe teria sido.

Quando eu perguntei a Michael porque ele abandonou o rancho pela nossa pequena casa em Ballard, a cada nova visita ele sempre dava a mesma razão:

"Tenho companhia no rancho e eu não quero estar com eles. Eu sei que eles vão estar bem atendidos pelo meu pessoal e estão livres para usufruir o rancho como se estivessem em sua casa. Eu só quero ficar aqui.''

Michael parecia curioso sobre como outras pessoas viviam e ainda que eu nunca lhe tivesse perguntado a respeito, acredito que se perguntava se fazíamos coisas diferentes das que ele fazia. Digo isso por conta de algumas perguntas que ele fazia.

Especificamente, quando ir ao banheiro costumava olhar nas gavetas dos móveis que estavam lá. Certamente curioso para saber o que tínhamos em relação ao que ele tinha. Sentia o perfume de algumas das colônias que ficavam em um armário, dizendo: 'Nunca podemos sair por aí cheirando mal.' E claro, ele nunca o fazia.''

Fonte e tradução: Rosane - blog Cartas Para Michael

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