sábado, 21 de junho de 2014

CONVERSAS PRIVADAS EM NEVERLAND COM MICHAEL JACKSON (1)


Prólogo 

''Esta é uma história sobre conversas entre amigos. Uma história sobre alguém que me é querido e de quem sinto saudades a cada dia. E sim, ele era um ícone global, um gênio musical e uma alma gentil. Principalmente, ele era meu amigo. Meu nome é Barney. O nome do meu amigo era Michael Jackson.

Meu objetivo ao escrever o que vão ler é partilhar que eu conheci Michael por cinco anos incríveis. Eu acho que na verdade, eu não sou ninguém especial por ter tido o privilégio de entrar no mundo do Michael e muito menos para escrever sobre ele.

Eu não posso mudar o que as pessoas querem escrever sobre Michael, mas o que eu posso fazer é contar as conversas que tive com ele além dos portões de Neverland e na minha própria casa.''


Quando Michael e eu nos conhecemos

''Conheci Michael em 01 de Outubro de 2001. [Ele] foi ao meu consultório à procura de um médico local que fazia visitas a domicílio, provavelmente me localizou através da lista telefônica. Naquele dia, estava vendo pacientes, como de costume, quando a minha enfermeira Sue me disse, baixinho, que o próximo paciente era Michael Jackson.

Pelo seu sorriso eu sabia que não teria que perguntar se era alguém que se chamava como ele. Quando entrei na sala de consulta, Michael sentou-se em uma cadeira à minha esquerda, vestindo uma jaqueta azul com escudo dourado no bolso de peito esquerdo, uma camiseta com gola em V, o que parecia ser um pijama em seda marrom, meias brancas e sapatos pretos. 

Embora não tivesse chovido, Michael tinha um guarda-chuva, o qual tinha deixado encostado na parede à esquerda de sua cadeira.

Eu me apresentei como Dr. Van Valin, mas eu disse que ele poderia me chamar de Barney. 

Michael se levantou e disse: "Olá Dr. Barney. Eu sou Michael.''

Enquanto ele falava, juntou as palmas das suas mãos como se em oração e se curvou um pouco para mim. Sentou-se e tal como eu notei depois que fazia sempre quando se sentava, colocou uma revista em seu colo.

Eu disse: "Prazer em conhecê-lo, Michael."

Ele me agradeceu e, em seguida perguntou: "Lhe conheço? Me parece familiar. Eu acho que já vimos antes."

Lhe disse: "Não, nós não vimos antes e eu tenho certeza que eu me lembraria se tivesse sido assim. Mas no ano passado eu te vi na videolocadora de Los Olivos, mas não nos falamos. Minha filha Bianca veio me dizer que estava do outro lado da loja. Eu queria te ver, mas eu disse a ela que eu pensei que seria melhor deixá-lo fazer as compras em paz."

Depois de falar brevemente sobre as questões de saúde, falamos de outras coisas e descobrimos que tínhamos muitos interesses em comum. Ambos gostávamos de antiguidades, nós gostávamos da música dos anos 60 e 70, éramos ambos pais de crianças pequenas e nós gostávamos das cidades de Los Olivos e Santa Ynez Valley. 

Começamos a conversar sobre antiguidades e era óbvio que tinha uma boa coleção. Eu disse a ele que meus pais tinham sido proprietários de uma loja de antiguidades em Solvang e eu tinha sido o principal fornecedor de 1971 até 1984, quando saí do México para viver em Chicago. 

Me perguntou: ''Que tipo de coisas comprava no México?"

Eu disse-lhe que os meus favoritos eram os carrosséis. Eles os chamam de tiovivo e não sabia por que lhes chamavam assim.

Eu disse-lhe que os meus favoritos eram os feitos em miniatura para as crianças, como o do Jardim Zoológico de Santa Barbara. Achei que meu entusiasmo poderia lhe aborrecer, mas disse: "Eu não me lembro de alguma vez ter visto um carrossel em miniatura, tem algum, todavia?"

Eu disse: "O último foi vendido há muito tempo e não sei para onde foi.. As lojas de antiguidades no México são muito diferentes das de aqui, Michael. Não se faz publicidade e tinha que ir de um lado para outro da cidade, perguntando às pessoas se havia um lugar que vendesse antiguidades.

Percebi que muitas pessoas não conhecem o termo e que aqueles que conheciam, me disseram que eu teria melhor sorte se perguntando por sucata. Me deram as direções de uma cidade sem placas, apenas um número indicando a direção. 

Lá, eles me disseram que eu iria encontrar sucatas em abundância. Bati à porta e fui para uma pequena cozinha, onde atrás de uma porta, entrei no que para mim era o País das Maravilhas em um mundo perdido.

Verdadeiras antiguidades com várias centenas de anos, incluindo pinturas muito antigas, não só em tela, mas em estanho e cobre. Havia madeira talhada desde a época colonial, os santos de catedrais antigas ao redor do México, baús, bancos, todos os tipos de móveis de madeira entalhada, animais de carrossel, castiçais e até mesmo coisas que nem sequer sabiam o que era. 

Nada tinha preço. Eu só tinha que perguntar e eu poderia regatear um pouco, mas os preços eram ajustados. Eventualmente, eu conheci cada comerciante e cada loja de antiguidade em Guadalajara.''

Michael estava sentado escutando educadamente enquanto eu falava sem parar, até que finalmente me disse: "Eu amo carrosséis, também. Na verdade, eu tenho um no rancho."

Eu perguntei: "Ele é realmente feito com cavalos de madeira?"

"Sim, eu comprei em Los Alamo", disse ele. Ele estava se referindo a uma cidade a cerca de 15 minutos de seu rancho em Los Olivos. "Eu gostaria que você visse. Creio que se encantará.''

Você pode estar se perguntando se eu estava animado, tenso ou sem palavras por ficar sozinho em uma sala com o Rei do Pop. De fato, após a surpresa inicial quando a enfermeira me disse que Michael Jackson era o próximo paciente, e depois de falar com ele por um tempo, me senti como se eu tivesse voltado a falar com um velho amigo.

No final da visita, Michael me convidou para jantar naquela noite em Neverland. Eu perguntei se eu poderia levar meu filho Mason, de nove anos.

"Claro, traga-o. Vai ficar muito bem", disse.

Quando Michael se levantou para sair, ele apontou para uma revista - People - que estava sobre a mesa e disse: "Não deveria comprar essa. É uma revista horrível.''

Lhe disse rindo: ''Ok.''

Fonte e tradução: Rosane - blog Cartas Para Michael

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4 comentários:

  1. Este episódio do primeiro encontro me lembrou o depoimento de uma médica na Itália, contando que se sentiu muito nervosa em atender Michael quando ele estava de passagem por lá.. ja pensou, amiga? Da mesma forma os dentistas que o atendiam... que responsabilidade em cuidar daquele sorriso! ゚・。.。・゚゚・。.。・゚゚・。

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    1. Eu lembro dessa médica também. Imagine ter esse anjo como paciente, ou como cliente, ou como um amigo que vai visitar a nossa casa.

      Eu achei legal o Barney ter introduzido o livro dizendo que se tratava de uma conversa entre amigos.

      Assim como em tantos depoimentos que já lemos sobre Michael, em todo este livro ele conseguiu nos fazer sentir Michael como um ser humano em primeiro lugar, uma pessoa comum como nós.

      E hoje podemos dizer que Michael transcende o artista que foi, apesar de sabermos a magnitude do artista dos séculos XX e XXI, ele nos mostrou toda a essência de seu ser.

      Temos Michael em plenitude do que é ser humano.

      Privilegiadas(os) fãs que somos nós.

      ♥♥♥

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    2. Sim, acho que dá para dizer que foi elaborado para ser um livro despretensioso, e é isso o que nós fãs queremos, a verdade sobre Michael. Nós já a conhecemos, mas a-m-a-m-o-s ler as histórias por trás dos bastidores. (⌒‿⌒)

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    3. Com certeza angel!

      ♥♥♥

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