sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

LIVRO "MY FAMILY, THE JACKSON'S " - PRÓLOGO ( BY KATHERINE JACKSON )

''Há sempre um excêntrico, alguém diferente na família. E eu sou aquela pessoa. - LaToya em 1985... LaToya nua na Playboy? Fiquei chocada quando ouvi o rumor.

Minha filha pode ter sido diferente de seus oito irmãos e irmãs, em alguns aspectos - ela era a mais modesta dos meus filhos, por exemplo - mas em termos de seu vestido e costumes, ela era tão conservadora que certa vez comentou sobre uma amiga que começou a usar blusas decotadas e saias com fendas.

"Ela parece nojenta como uma prostituta", LaToya comentou na época. "Eu não quero fazer parte com ela."

Mas quanto mais eu pensava sobre o rumor da Playboy, mais eu temia que isso fosse verdade. A LaToya que eu vi no início de 1989 não era a LaToya que eu achava que eu conhecia.

Eu não poderia deixar de lembrar o seu noivado em 1988 no Trump Plaza, em Atlantic City, quando ela dançou pela primeira vez, sempre de uma maneira sexy, sugestiva. Observando-a do público, fiquei surpresa e, admito, um pouco surpreendida.

"Jack me disse que eu teria que mudar minha imagem se eu quiser me manter no negócio", LaToya disse, quando eu perguntei a ela sobre seu novo show.

"Jack" era Jack Gordon, seu empresário bem-falante. Sua transformação começou ao mesmo tempo que ele entrou em sua vida em 1987, com uma oferta para ela apresentar um show de vídeos musicais no qual ele trabalhava. Na época, LaToya era uma menina caseira e ''da mamãe''.

"Toya, você fica muito grudada em mim", eu lhe dizia. "Você deve sair mais de casa."

"Mas eu não gosto do que está lá fora, mãe", ela respondia. "Além disso, você é minha melhor amiga."

O show musical de Gordon nunca se materializou, mas ele permaneceu em cena, cobrindo LaToya com flores e presentes.

Rebbie: ''Quando eu estava em casa, eu ouvia a conversa da minha irmã sobre Jack o tempo todo. Supostamente, ele queria se casar com ela, e ela se recusou, mas ele obviamente conseguiu obter a sua atenção.''

Gordon pediu ao meu pai Joe, o gerente de LaToya, para permitir que ele a co-gerenciasse, ele alegava que ele tinha ideias para revitalizar sua carreira musical estagnada. Ele continuou insistindo até que Joe finalmente perguntou à LaToya:

"É isso que você quer?"

Ela disse que era, por isso seu pai concordou em partilhar as responsabilidades de gestão com Gordon.

A próxima coisa que eu sabia, Gordon tinha levado a minha filha caseira para viajar pelo mundo. Mal eles retornaram dos negócios no Japão, ela anunciava:

"Ah, eu tenho uma sessão de fotos para fazer na Áustria", e ela e Gordon estariam no próximo voo para fora de Los Angeles. Enquanto uma parte de mim estava feliz porque ela estava saindo pelo mundo e conhecendo novas pessoas, a reviravolta em sua nova forma de vida foi tão repentina e dramática que me deixou confusa.

Não foi até mais tarde, quando eu vi Jack Gordon pelo que ele era - um oportunista - que eu entendi sua estratégia em reservar LaToya nos mais distantes cantos do globo. Ele estava tentando distanciar minha filha, ingênua e de boa-fé, de sua família, literalmente e figurativamente, para que ele pudesse se tornar uma influência dominante em sua vida.

Jack Gordon mudou da noite para o dia em sua atitude para comigo e Joe. Seu primeiro ato de rebeldia estava em se recusar a denunciar o gerente de negócios de Joe, como Joe tinha pedido. Depois que ele e Joe discutiam sobre isso, Gordon fez a afirmação ultrajante para Frank Dileo, gerente de meu filho Michael na época, que Joe tentou estrangulá-lo.

''Jack, eu estava na sala com vocês dois, e você sabe que nunca Joe tocou em você!" Eu exclamei.

"Ele colocou a mão no meu ombro! Ele colocou a mão no meu ombro!" Gordon respondeu animadamente.

O público percebeu quão bem sucedido Gordon tinha sido em levar LaToya para longe da família quando, em março de 1988, informou à revista People que LaToya havia se mudado para Nova York com Gordon e havia cortado seus laços profissionais com Joe.

"Jack é um vendedor", LaToya foi citada como dizendo (isso). "Ele joga um bom lance e retribui. De qualquer forma, ele está fazendo melhor do que o meu pai."

Adicionando um toque sensacionalista estava o próprio Jack Gordon ''mandando uma'' para Joe:

"Eu amo Joe como veneno."

Mesmo que LaToya continuasse a falar comigo quase diariamente por telefone, nossa relação se deteriorou. Parecia que LaToya estava tomando aulas na Grande Mentira de Gordon.

Eu criei meus filhos (ensinados a ) dizer sempre a verdade, então eu estava decepcionada com ela, indignada por negar-me que ela decidiu escrever a um concorrente, um livro "contando tudo" sobre a família Jackson, mesmo depois de ter ouvido que Gordon a tinha levado de editora em editora em Nova York.

"Não, mãe, eu não vou fazer um livro. Eu não sei como esses rumores começaram", ela disse novamente algumas semanas mais tarde, depois que eu soube que ela tinha assinado um negócio de livro por mais dinheiro do que o meu filho Michael tinha acertado por sua autobiografia, Moonwalk.

LaToya nunca admitiu para mim que ela estava escrevendo um livro. Eu tive que ler sobre ele em um jornal no início de 1989. "Livro de Michael é bom, mas muito leve", citaram ela dizendo. "Haverá uma porção de coisas no meu livro que não está no dele."

Rebbie: ''A coisa irônica é que, se ninguém na família tinha sequer insinuado em fazer um livro para competir com o da mãe, LaToya teria sido a única a correr sua boca sobre como aquilo estava errado.''

LaToya havia negado a mim que ela tinha se despido para um fotógrafo da Playboy tão enfaticamente como ela negou que estava escrevendo um livro. Estou triste em dizer que, mais uma vez, eu conheci a verdade pela mídia.

Rebbie: ''Eu posso verdadeiramente dizer que o livro da minha irmã e sua propagação na Playboy tem magoado a família muito mal no coração. Muito mal. Todo mundo está ferido, incluindo os netos. Eu estava tão envergonhada que, pessoalmente, havia momentos em que eu dizia para mim mesmo, eu gostaria de estar em outro planeta. Tive vontade de chorar quando eu fui em público, com medo de que alguém iria me reconhecer e me perguntar sobre LaToya.''

Em suas entrevistas que promovem sua nudez, LaToya defendeu suas ações: "Eu tenho que viver minha vida para LaToya e não para a minha família." Mas ela tornou uma situação ruim ainda pior quando ela afirmou que Michael - de todas as pessoas - havia aprovado sua decisão de posar nua.

Michael negou à família que ele tinha feito tal coisa. Ele havia dado à LaToya seu novo número de telefone, porque ele era sensível ao fato de que ela estava "lá fora, sozinha." Mas depois ela citou erroneamente que ele se recusou a tomar suas ligações. "Eu não posso falar com ela enquanto ela continua a mentir assim", disse ele.

Pouco tempo após quando a publicação da Playboy com seu rosto na capa chegou às bancas, LaToya apareceu no Donahue.

"Meus pais estabeleceram certas regras, e uma dessas regras, é claro, é a que não poderíamos sair de casa a menos que você se casasse", ela afirmou, como forma de racionalizar sua rebeldia. Ela não mencionou o fato de que a nossa "regra" nunca foi cumprida, e que Michael, Marlon, Janet tinham saído antes, ainda solteiros.

Após a transmissão, eu recebi um telefonema de alguém que testemunhou a gravação do Donahue. "Mantenha sua filha longe de seu gerente", disse ela. Ela me contou como Jack Gordon fez um incômodo de si mesmo antes do show, insistindo que Phil Donahue fizesse à LaToya perguntas de natureza negativa sobre a família.

Escusado será dizer que, resgatar a minha filha de Gordon tem sido o objetivo da família desde que ela se mudou para Nova York com ele, e mesmo antes de ter sido noticiado na imprensa nacional que Gordon tinha estado em um bordel e passado um tempo na prisão por tentar subornar a Comissão de Jogos do Estado de Nevada. Mas então Jack Gordon já teria feito um grande trabalho de lavagem cerebral em LaToya, porque ela se recusou a acreditar em qualquer coisa negativa sobre seu passado ou suas motivações, e nada do que eu, nem seus irmãos e irmãs dissesse, poderia convencê-la a voltar para casa, para nós.

Misturada com a minha raiva por Jack Gordon havia um sentimento de culpa. Talvez eu tivesse protegido demais os meus filhos - já pensei várias vezes desde então - e não os tenha educado o suficiente sobre tubarões lá fora esperando para tirar proveito deles, para seu próprio ganho financeiro.

Eu nunca vou esquecer a cena no camarim de LaToya, em Atlantic City, em 1988, logo após uma de suas performances. Não era LaToya, quente e suada, com os cabelos precisando de atenção. Era Gordon latindo para ela: "Apresse-se! Vá lá embaixo!" Vanna White estava lá, e ele era insistente para que LaToya posasse para uma foto com ela imediatamente.

Minha filha Janet, que também testemunhou a explosão de Gordon, rompeu em lágrimas.

"Como você ousa falar com a minha irmã dessa forma!", exclamou ela.

''Ela está descendo as escadas!" Gordon repetiu.

Depois que ela saiu da sala, Janet virou-se para LaToya.

 "Toya, como você pode se submeter a esse tipo de tratamento?", ela perguntou.

"Quando você está cansada,  você não se importa com o que acontece," foi tudo o que LaToya disse.

Rebbie: ''A situação de LaToya em 1989 era como um mistério. ''Qual seria o próximo episódio?'' Eu ficava imaginando. O público faz, provavelmente, a mesma pergunta hoje sobre a família Jackson.''

Mesmo que os meios de comunicação estivessem cobrindo a rebeldia de LaToya, eles ainda estavam banqueteando-se com os rumores sobre a vida privada de Michael, os relatos de Jackson "ciúme entre irmãos", e contos sobre como Joe e eu estaríamos alienados da maioria dos nossos filhos.

"Que triste família os Jacksons se tornaram", imagino que as pessoas estejam dizendo hoje. "Eles não poderiam lidar com o sucesso da pobreza à riqueza." Se eu dependesse da imprensa para todas as minhas informações sobre a minha família, eu tiraria a mesma conclusão.

Mas eu sou capaz de ver nossa história a partir de uma perspectiva que está faltando em um Entertainment Tonight, ou um artigo cheio de erros em um dos tabloides.

Aqui está a história da família Jackson que eu tenho vivido.''


Tradução: Rosane - blog Cartas Para Michael

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